nos sonhos,
parece um rio cintilante,
o filete rubro de sangue que escorre,
indo desaguar no espaço vazio entre o corpo e o chão...
Os olhos encerrados sob as pálpebras,
imunes à qualquer vislumbre do mundo que fica.
E é tão sereno o semblante,
sem o arfar do peito,
ou o som do coração que ebole, quente,
quase saindo do peito de tanto descontentamento.
E a pele, clara,
esfria,
como um diamante límpido e transparente,
encerrado em um esplendor silencioso e áustero.
Equipara-se a uma clareza adquirida,
um libertar-se tão prazeroso,
que assemelham-se a asas as mortalhas,
elevando ao etéreo céu
a mente cansada,
para longe dos desesperos.
Cá,
fora da plenitude,
jaz junto ao corpo,
toda a dor de outrora...


