quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pale Bluebird


Quando Bukowski disse que tinha um pássaro azul no coração, ri-me: Será possível, meu caro, que esse uísque temperado das tuas noites cause-te este tipo de devaneio? Mas cá eu, certa noite, ouvi o canto esquizofrênico do peito estremecer a caixa craniana com força! Orei-te Bukowski, pedindo auxílio, pois compreendi não ser a psicose que achava que fosse! Encerrei-me por completo, pois não choro, não temo, não amoleço. Sou tão dura quanto tu, e tão perdida. O pássaro azul voando no mediastino, fazendo vento com as asas, e cantando... O pássaro-azul-pedaço-de-céu-sem-nuvens tristinho e engaiolado cantava o canto da solidão. Terrivelmente só e engaiolado, sem liberdade desde que fomos paridos. E eu cá fora fechando todas as janelas. Escondendo de todos o vento no peito, a arritmia, a falta de consolo. Ah, Bukowski, aquela noite eu quis soltar o pássaro azul. Eu quis deixar que ele voasse, como tu fizestes. E te pedi a força necessária para fazê-lo. Mas só aquela noite! Não quero que ele foda a minha vida e minha imagem construída longa e concisamente. Despertei-o, e prendi-o! Que cante silenciosamente enquanto choro por dentro para que ninguém veja.

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